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Artur Lescher: Suspensão

Artistas: Artur Lescher

Curadoria: Camila Bechelany

De 23/3 a 24/6

Estação Pinacoteca Ver mapa

Endereço: Largo General Osório, 66 - Santa Efigênia

Telefone: (11) 3324-1000

Entre os dias 23 de março e 24 de junho de 2019, a Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição "Artur Lescher: Suspensão", que ocupa o 4º andar da Pina Estação. Com curadoria de Camila Bechelany, a retrospectiva pontua os momentos mais importantes da trajetória do artista paulistano reunindo um conjunto de cerca de 120 trabalhos, incluindo instalações, esculturas, maquetes e cadernos de desenho. A mostra propõe evidenciar como, desde o início da carreira, Lescher tem testado a aplicação das noções de gravidade, a partir da engenharia e da matemática, na construção de uma poética particular. A Pina Estação tem entrada gratuita todos os dias e a exposição é livre para todas as idades.

Vistas da exposição de Artur Lescher na Pina Estação. Foto: Isabella Matheus / Pinacoteca.

A obra escultórica de Artur Lescher (São Paulo, 1962) começou a chamar a atenção da crítica após sua participação na "19ª Bienal de São Paulo", em 1987. Desde então, o artista tem explorado a relação com o espaço expositivo em que se apresenta, caracterizando-se por intervir de maneira sutil nesse ambiente, de modo a fornecer ao observador alguma memória daquele lugar. Nesse sentido, seus interesses vão desde o modelismo até a astrologia, passando pela matemática, pela arquitetura e pela mitologia. Para a exposição na Pinacoteca, seus mais de 30 anos de pesquisa foram divididos em três eixos/salas: (1) Narrativas líquidas, que trata das potencialidades e dos desafios dos materiais; (2) Suspensão, sobre a verticalidade na escultura; e (3) Engenharia da memória, que apresenta a investigação do artista em direção à uma reescrita e construção imaginária da cidade.

No eixo Narrativas líquidas, constam esculturas que oferecem um contraponto à imagem orgânica da natureza. As obras da série Rios (2004-2019), por exemplo, assemelham-se a cachoeiras e cursos de rios, e, mesmo tendo sido construídas com materiais sólidos ou brutos como feltro, papel, madeira, aço e pedra, ainda assim evocam transparência e fluidez. “O material não é utilizado como suporte, ele desafia a forma e explora a realidade espacial, seja pelo equilíbrio, seja pela massa que carrega ou ainda pela sua resistência”, define a curadora.

Artur Lescher, Hikoboshi. Foto: Everton Ballardin.

Para conceber suas obras, o artista parte sempre do desenho à mão livre ou de uma maquete, para, em seguida, escolher o material. Posteriormente, este é trabalhado por meio de procedimentos semi-industriais – como solda, polimento e galvanização – para finalmente suspender a obra, arrematando assim as tensões do trabalho. Os projetos que utilizam a gravidade para experimentar o volume no espaço e os pêndulos estão reunidos no eixo Suspensão. “Ali podemos ver o desafio do peso, a resistência do material e a relação com o espaço público e a posição do espectador, questões caras ao artista”, resume Bechelany.

“A verticalidade das peças sugere a tentativa de atingir outro mundo, de escapar, de viajar. Os pêndulos também se relacionam a um imaginário cosmogônico ou um interesse pela leitura do céu. Cada obra é como um ponto de referência e o conjunto de pêndulos atua como um mapa imaginário do céu sobre nossas cabeças”, explica a curadora. A elegância do desenho e a perfeição executiva de Lescher, que explora, sobretudo, a dualidade peso-leveza, apontam para um fértil diálogo com tradições da escultura brasileira, notadamente com a obra de Waltercio Caldas. “Em Lescher são o empirismo e a percepção que comandam e justificam as proporções e as escalas nas quais as obras são desenhadas e desenham o espaço”, completa ela.

Artur Lescher, Rio Máquina. Foto: Ruy Teixeira.

Para o escritor Juliano Garcia Pessanha, que assina texto para o catálogo da mostra, “adentrar o silêncio das paisagens incomuns de Lescher é expor-se a um chamado de elevação, pois as formas e as geometrias criadas por ele remetem ao alto e a um jogo de conexões com o que está em cima. Sua coragem está em reivindicar o acima quando todos parecem disputar a raiz e o embaixo”.

Por fim, a última sala, dedicada à construção de realidades imaginadas e a relação com o espaço urbano sob o eixo Engenharia da memória traz, como preâmbulo, cerca de 50 maquetes e cadernos de estudos. Estes são exibidos pela primeira vez ao público e visam constituir uma leitura aprofundada e inédita do processo de trabalho de Lescher. Ainda no mesmo espaço, é exibida a instalação Nostalgia do engenheiro (2014), uma homenagem a Giorgio De Chirico formada por 16 objetos em metal e madeira sobre uma base que se refere aos espaços metafísicos imaginados pelo artista italiano em suas pinturas.

Artur Lescher, Ziggurat. Foto: Divulgação.

CATÁLOGO
"Artur Lescher: Suspensão" é complementada com um catálogo que inclui uma entrevista conduzida por Lilian Tone, na qual o artista revisa a própria carreira. A edição conta com imagens de obras da mostra, além de outras obras de referência documental. Apresentadas nesta exposição pela primeira vez ao público, as maquetes e os cadernos de estudos que ilustram o método de trabalho do artista, também compõem o livro, que possui textos de Camila Bechelany, curadora da mostra, e Juliano Pessanha.

Vistas da exposição que permanece em cartaz até junho de 2019. Foto: Isabella Matheus / Pinacoteca.

Serviço
Exposição: "Artur Lescher: Suspensão", com curadoria de Camila Bechelany.
Datas e horários: Abertura dia 23 de março de 2019, sábado, às 11h. Em cartaz até 24 de junho de 2019. De quarta a segunda, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h).
Local: Pina Estação | Largo General Osório, 66 – Luz, São Paulo.
A entrada é livre para todas as idades. A Pina Estação é gratuita todos os dias.