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Arte da França: de Delacroix a Cézanne

Artistas: Vários

Curadoria: Adriano Pedrosa, Eugênia Gorini Esmeraldo e Fernando Oliva

de 17/7 a 25/10

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Ver mapa

Endereço: Avenida Paulista, 1578

Telefone: 11 3251-5644

Artistas franceses e estrangeiros, que migraram para a capital francesa, participando da chamada Escola de Paris, integram a próxima exposição do MASP. "Arte da França: de Delacroix a Cézanne" acontece de 17 de julho a 25 de outubro e apresenta cerca de 80 obras do acervo do museu, formando o mais significativo conjunto de arte francesa do hemisfério sul. A exposição tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Eugênia Gorini Esmeraldo, coordenadora de Intercâmbio, e Fernando Oliva, curador assistente.

A mostra atravessa quase 200 anos de produção artística na França, dos séculos 18 ao 20, exibindo retratos, paisagens, naturezas-mortas e cenas históricas e do cotidiano de 24 importantes artistas do período. Estão representados pintores de herança neoclássica, como Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867), e romântica, como Eugène Delacroix (1798-1863); além de nomes ligados aos movimentos precursores do Modernismo, como o Realismo, de Gustave Courbet (1819-1877); o Impressionismo, de Claude Monet (1840-1927) e Edgar Degas (1834-1917); o Pós-Impressionismo, de Paul Cézanne (1839-1906), Vincent Van Gogh (1853-1890) e Paul Gauguin (1848-1903); o grupo dos Nabis, de Edouard Vuillard (1868-1940); e o Cubismo, de Pablo Picasso (1881-1973).

Somam-se à lista artistas que não participaram de grupos específicos, mas incorporaram em suas obras tendências artísticas diversas, como Jean-Baptiste-Camille Corot (1796–1875), que tinha traços românticos e realistas, Edouard Manet (1832-1883), que influenciou os impressionistas, e Amedeo Modigliani (1884-1920). O MASP possui em seu acervo conjuntos expressivos de arte francesa. Parte deles é agora reunida nesta exposição, com destaque para Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), com 12 pinturas em exibição; Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901), com 10 trabalhos expostos; Modigliani, com 6 trabalhos; e Cézanne, com 5.

A mostra também contempla nomes anteriores e posteriores a esses artistas. É o caso de Ingres, Jean-Marc Nattier (1685-1766), Jean-Baptiste-Siméon Chardin (1699-1779), Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), Henry Matisse (1869-1954), Fernand Léger (1881-1955), Picasso e Modigliani.

Em Delacroix, as narrativas líricas, heroicas e monumentais alcançaram o ápice, mesmo com suas pinceladas aparentemente inacabadas e tratamento igual para figura e fundo. Cézanne, que via em Delacroix um mestre, se propôs enfrentar a tradição com o olhar do novo, abandonando uma arte de efeito em favor da materialidade e da estrutura das imagens, como se pintasse os objetos de dentro para fora. A mudança está no abandono do dramático e do imaginário, substituídos por uma nova forma de perceber o real, focada no ato de pintar, como se ele valesse mais por si mesmo e não apenas pela história que evoca. 

As pinturas de Delacroix e Cézanne, juntas, abrem a mostra. “Delacroix e Cézanne, reunidos no mesmo espaço, na entrada da exposição, funcionam como vetores para todo o percurso do público, pois apontaram, cada um em seu tempo, tanto para o passado quanto para o futuro da história da arte, pontuando nítidas transições entre a tradição e o moderno; o antigo e o novo; entre, por exemplo, Ingres e Léger, entre outros artistas aqui presentes”, comenta Fernando Oliva. A seguir, a mostra se estrutura em torno de outros três conjuntos centrais na coleção do MASP: Toulouse-Lautrec, Modigliani e Renoir.

Mostra e expografia
Assim como a exposição "Arte da Itália: de Rafael a Ticiano", atualmente em cartaz no segundo subsolo do MASP, "Arte da França: de Delacroix a Cézanne" também exibe, ao lado das obras de arte, documentos do arquivo histórico e fotográfico do museu. São correspondências sobre doações, aquisições, convites, folhetos de exposições, recortes de jornais e revistas e fotografias que contam curiosidades e recuperam parte da história das obras e do próprio museu.

É o caso da tela de Paul Cézanne, Madame Cézanne em vermelho (1890-94), que chegou ao Brasil a bordo do navio Uruguai, em 1949, e foi desembalada ainda dentro da própria embarcação, como revelam fotografias históricas. Uma das imagens comprova que os artistas Lasar Segall e Anita Malfatti também participaram das comemorações.

Já o recorte do jornal suíço Confédéré, de outubro de 1988, traz à tona um episódio trágico sobre uma das personagens da pintura Rosa e azul (As Meninas Cahen d´Anvers) (1881), de Renoir. Ao visitar uma exposição na Fundação Pierre Gianadda, da qual a obra participava, Jean de Monbrison reconheceu sua tia Elisabeth Cahen d’Anvers, a menina loira, à direita na tela. O visitante emocionou-se com a imagem e escreveu ao diretor da fundação, Léonard Gianadda: “Eu sou o último membro da família a ter visto ainda em vida Elisabeth Cahen-d’Anvers, filha de meu avô, enviada ao campo de concentração em 27 de março de 1944. Eu agradeço ao Sr. Bardi e à Fundação Pierre Gianadda por ter-me permitido ver este quadro em meio a tantas maravilhas”. Elisabeth, apesar de convertida ao catolicismo havia mais de 50 anos, foi enviada para Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), como comprova a lista do comboio de número 70, onde seu nome é visível. Ela morreu no trem, a caminho do campo de concentração.

A reportagem destaca ainda um depoimento da irmã menor, Alice Cahen d’Anvers, que lembrava que o desconforto das mais de 60 sessões posando para Renoir eram recompensadas pelo prazer de usar um vestido de renda tão bonito. Os pais Cahen d’Anvers haviam encomendado dois retratos ao pintor: um de sua filha mais velha, Irène, e a obra do MASP, com as outras duas irmãs menores. No entanto, apenas o retrato de Irène satisfez a família, que escondeu Rosa e azul nas dependências dos empregados de sua casa. Com a morte do conde Cahen d’Anvers, a obra foi colocada em circulação, até finalmente ser adquirida pelo MASP em 1952. Rosa e azul (As Meninas Cahen d´Anvers) é hoje uma das telas mais conhecidas e estimadas do acervo do museu.

A expografia da mostra, desenvolvida pelo escritório Metro Arquitetos Associados, retoma projeto de Lina Bo Bardi (1914–1992), arquiteta do MASP, para o acervo do museu. Ele resgata as estruturas tubulares de metal que exibiam as pinturas de forma suspensa, em painéis de madeira, e foram projetadas para o MASP, em 1947, ano de sua fundação, na antiga sede da rua 7 de Abril, região central de São Paulo. A recuperação de projetos de Lina Bo nas exposições de 2015 apresenta ao público o percurso da arquiteta até chegar aos famosos cavaletes de vidro, que ela projetou para a exposição do acervo no segundo andar do museu na Avenida Paulista, inaugurado em 1968. Ausentes desde 1996, os cavaletes voltarão ao segundo andar do MASP no final deste ano.

Eugène Delacroix, O Verão – Diana Surpreendida por Acteão (As Quatro Estações de Hartmann), 1856-1863 (óleo sobre tela, 198 x 167cm) / Acervo MASP

Paul Cézanne, Madame Cézanne em vermelho, 1890-94 (óleo sobre tela, 93,3 x 74 cm) / Acervo MASP

Henri de Toulouse-Lautrec, A bailarina Loïe Fuller vista dos bastidores (A roda), 1893 (óleo e têmpera sobre cartão, 63 x 47 cm) / Acervo MASP

Pierre-Auguste Renoir, Rosa e azul (As meninas Cahen d´Anvers), 1881 (óleo sobre tela, 119 x 74 cm) / Acervo MASP

serviço:
Exposição: "Arte da França: de Delacroix a Cézanne", om uradoia de Adriano Pedrosa, Eugênia Gorini Esmeraldo e Fernando Oliva.
Datas e horários: De 17 de julho a 25 de outubro de 2015. De terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Local: MASP | Avenida Paulista, 1578 - Bela Vista
Entrada: R$25,00 (entrada); R$12,00 (meia-entrada). O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo, e às quintas-feiras, a partir das 17h.

Imagem de capa: Paul Cézanne, O grande pinheiro, 1890-96 (óleo sobre tela, 89 x 70 cm) [Acervo MASP].