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A Placa Mágica

Artistas: Francisco Moreira da Costa

Curadoria: -

De 21/11 a 18/12

Fass Ver mapa

Endereço: Rua Rodésia, 26 - Vila Madalena

Telefone: (11) 3037-7349

A primeira exposição individual em São Paulo de Francisco Moreira da Costa, único brasileiro com dedicação sistemática à técnica original da daguerreotipia, realiza sua abertua no dia 21 de novembro, na FASS Galeria. A mostra "A Placa Màgica" fica em cartaz até 30 de janeiro de 2016.

Relata George Ermakoff, em “Rio de Janeiro 1840-1900: uma crônica fotográfica“, que em dezembro de 1839 a daguerreotipia chegava ao Brasil a bordo de uma embarcação vinda da França, trazida por um abade chamado Louis Comte, quem iniciou o imperador d. Pedro II, primeiro fotógrafo brasileiro, na técnica, e arte, de “daguerreotipar”. A invenção de Louis-Jacques Mandé Daguerre, baseada em estudos de Joseph Nicéphore Niépce, havia sido anunciada em Paris, em 19 de agosto do mesmo ano. Foi também um brasileiro, Francisco Moreira da Costa, nascido no Rio de Janeiro, mas sem título de imperador, quem resgatou no país o processo fundador da fotografia, 157 anos após sua invenção.

Francisco Moreira da Costa, Cacho de bananas, 2014 (daguerreótipo, placa de cobre banhada em prata, 11 x 9 cm) / Cortesia: FASS Galeria

Com a presente exposição, a galeria pretende difundir a história da daguerreotipia, processo fundador da fotografia, e tornar conhecida em São Paulo a pesquisa e o trabalho de Francisco Costa e seu Estúdio Século XIX, voltado à transmissão das técnicas fotográficas oitocentistas.

A daguerreotipia surpreendeu o mundo pela sua capacidade de reproduzir a realidade, com uma definição que nunca foi superada por outra técnica. Além disso, ela confere à fotografia o status de joia, pois a imagem é formada sobre a prata, um metal nobre, e muitas vezes é tratada com uma viragem em ouro, sendo cada exemplar um original único. Durante as décadas de 1840 e 1850, milhões de placas foram feitas no mundo inteiro, principalmente retratos. Mas a evolução tecnológica foi rápida e entre 1855 e 1860 as placas deixaram de ser fabricadas por completo. Muitos originais sobreviveram, mas sua presença em coleções de fotografia é rara.

Francisco Moreira da Costa, Iemanjá, 2014 (daguerreótipo, placa de cobre banhada em prata, 11 x 9 cm) / Cortesia: FASS Galeria

Francisco corta suas próprias placas de cobre, que medem 11 x 9 cm ou a metade, 5,5 x 4,5 cm. Ele, que é fotógrafo do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Iphan, retrata objetos da cultura popular, como estatuetas de São Jorge ou de Iemanjá. Alguns objetos, hoje pouco utilizados, como candeeiros e cestas de vime remetem-nos ao destino da própria daguerreotipia. Minoria no universo dos daguerreótipos expostos, a figura humana aparece para roubar a cena numa imagem em que o corpo de uma mulher se encontra coberto por uma enorme folha de taioba - a profundidade e definição da imagem única formada no metal surpreendem.

Um dos quarenta daguerreotipistas em atividade no planeta, Francisco conta que “atrás de um daguerreótipo está sempre um apurado processo de busca pela qualidade, de auto-conhecimento, de perseverança e persistência, além de um íntimo desejo de ver realizada a transformação dos materiais, tal como os alquimistas o almejavam. Por isto o resultado bem sucedido exerce sempre um mágico fascínio”.

Francisco Moreira da Costa, Nu e folha de taioba, 2015 (daguerreótipo, placa de cobre banhada em prata, 9 x 12 cm) / Cortesia: FASS Galeria

A técnica
Pelo processo da daguerreotipia, a imagem fotográfica forma-se sobre uma placa de cobre recoberta por uma camada de prata polida e sensibilizada com vapor de iodo; apresenta uma gama fina de detalhes formados pelas partículas de mercúrio usado em forma de vapor durante a revelação, sua superfície é tão delicada que tem de ser protegida com um vidro e hermeticamente fechada, evitando o contato com o ar. De aspecto metálico, a imagem só aparece positiva quando no angulo de visão apropriado, do contrário a imagem se forma negativa. Outro aspecto interessante é que a imagem é um positivo direto, não havendo negativo, o que faz do daguerreótipo uma fotografia única.

Francisco Moreira da Costa, Copo de leite, 2014 (daguerreótipo, placa de cobre banhada em prata, 11 x 9 cm) / Cortesia: FASS Galeria

Francisco Moreira da Costa, Lamparina, 2014 (daguerreótipo, placa de cobre banhada em prata, 11 x 9 cm) / Cortesia: FASS Galeria

serviço
Exposição: "A Placa Mágica", de Francisco Moreira da Costa.
Datas e horários: Abertura dia 21 de novembro, sábado, das 11h às 15h. De 21 de novembro a 18 de dezembro de 2015; e de 12 de janeiro a 30 de janeiro de 2016. De terça a sexta, das 11h às 19h; sábados (abertura/encerramento), das 11h às 17h.
Local: FASS Galeria | R. Rodésia, 26 - Vila Madalena.
Entrada franca.