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À Margem

Artistas: Gisele Martins

Curadoria: Diógenes Moura

De 17/10 a 14/11

Fass Ver mapa

Endereço: Rua Rodésia, 26 - Vila Madalena

Telefone: (11) 3037-7349

A fotógrafa Gisele Martins apresenta a séria inédita "À Margem", com abertura no dia 17 de outubro, na FASS Galeria. Com curadoria de Diógenes Moura, a exposição fica em cartaz até 14 de novembro.

Ao todo são 27 imagens produzidas entre 2014 e 2015 em comunidades ribeirinhas nos municípios de Breves e Melgaço, no lado oeste do arquipélago do Marajó, área de florestas exuberantes e grande concentração de açaizeiros, e em Jenipapo, vila feita de palafitas sobre o lago Arari, pertencente ao município de Santa Cruz do Arari, também no Marajó.

Motivada pela curiosidade em saber como seria a vida na floresta Amazônica, a partir do rio e nas pequenas comunidades, Gisele Martins conta que deu início ao projeto principalmente pelo diálogo entre a população ribeirinha e o seu habitat natural: “O que mais me interessa é a vida cotidiana do caboclo, típico representante da população tradicional. O olhar perdido e curioso através das portas e janelas das casas, que algumas vezes pode exprimir relaxamento e descanso ou, frequentemente, puro tédio e falta de perspectiva.”

Com a difícil missão de olhar o outro sem ser uma intrusa, “a fotógrafa sentiu-se como um personagem de Brecht, anoitecendo entre os mitos ribeirinhos, abrindo os olhos porque não conseguiu dormir, enxergando um povo que tem tudo e não tem nada além do interminável milagre divino. Os santos no alto das paredes, os barcos com nomes próprios: 'Somos uns pelos outros' ou 'Só Deus mesmo por nós'. Lá, ali, a salvação será o invisível ou nada. Tudo no limite da alma”, diz o curador Diógenes Moura.

Maior arquipélago fluviomarinho do mundo, no Marajó grande parte da população vive na área rural, tendo como vias de acesso os rios e igarapés que cortam a região e, como meios de transporte, barcos, rabetas e cascos, que aprendem a pilotar desde pequenos. A vida corre lentamente, integrada ao regime das águas. A paisagem contemplada pelos ribeirinhos é a da natureza, com seus sons e a calmaria do tempo que passa sem pressa. “Mas não só os sons da natureza estão lá. Na beira do rio, ouve-se o barulho do tecnobrega e dos motores das rabetas que, segundo os moradores, afugentam peixes e jacarés”, diz Gisele.

Longe do ritmo e do visual frenéticos das grandes cidades e dos bolsões de riqueza do interior do país, há vida em família e em comunidade, mas também isolamento, desamparo e falta de perspectiva. A vida em comunidade e a religião apaziguam o clima de insegurança e vulnerabilidade numa das mais belas e pobres regiões do Brasil.

Gisele Martins, série À Margem, Arquipélago do Marajó, PA, 2014/2015

Gisele Martins, série À Margem, Arquipélago do Marajó, PA, 2014/2015

Gisele Martins, série À Margem, Arquipélago do Marajó, PA, 2014/2015

Gisele Martins, série À Margem, Arquipélago do Marajó, PA, 2014/2015

Gisele Martins, série À Margem, Arquipélago do Marajó, PA, 2014/2015

serviço
Exposição: "À Margem", de Gisele Martins com curadoria de Diógenes Moura.
Datas e horários: Abertura dia 17 de outubro, das 11h às 15h. Em cartaz entre 17 de outubro e 14 de novembro de 2015. De terça a sexta, das 11h às 19h; sábados (abertura/encerramento), das 11h às 17h.
Local: Fass Galeria | Rua Rodésia 26 - Vila Madalena.
Entrada franca.