AGENDA CULTURAL

Voltar

A Casa

Artistas: Vários

Curadoria: Katia Canton

De 12/9/15 a 31/7/16

MAC - Museu de Arte Contemporânea Ver mapa

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 - Ibirapuera

Telefone: (11) 2648-0254

Vinícius de Morais, autor do poema A Casa, musicado ao lado de Toquinho em 1980, já falava da criação de um espaço que deveria ser o de um lar, mas que é repleto de estranhamento, de elementos faltantes, da própria ausência de praticidade esperada do ambiente doméstico. “Era uma casa muito engraçada”, dizia ele, “feita com muito esmero, na rua dos bobos, número zero”. A curadora Katia Canton, vice-diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP, traz essa ideia para a exposição A Casa – que o Museu inaugura no dia 12 de setembro, a partir das 11 horas – compartilhando esse espírito de estranheza. “Ao mesmo tempo, lúdico e dramático, questionando os materiais e formas da construção artística, pensando os limites entre arte e design, a arte contemporânea permite leituras não convencionais e instigantes dos objetos e dos pensamentos acerca do mundo”, diz Katia.

A Casa apresenta 18 obras que pertencem ao acervo do MAC USP, dos artistas Alexander Calder, Leda Catunda, Alex Flemming, Iran do Espírito Santo, Cildo Meireles, Nina Moraes, Alex Vallauri, Flávio Cerqueira, Barrão, Regina Silveira, Maria Tomaselli, Camille Kachani, Ângelo Venosa, José Carratu e Ana Teixeira. Distribuídas não por ordem cronológica ou autoral, mas pela representação dos papéis que cada uma cumpriria em sua função de domesticidade, as obras permitem pensar possibilidades, por exemplo, caso o sofá de Regina Silveira fosse feito para sentar, ou a vitrola de Iran do Espírito Santo fosse pensada para tocar discos. Ou ainda as escumadeiras espetadas no cordeiro, de Alex Flemming, fossem feitas para fritar, utilizando para isso o fogão de Alex Vallauri.

Mas essa casa muito engraçada não fala de decoração, design ou do funcionamento de um lar, e sim de arte. Cada elemento dentro dela surpreende e contraria as expectativas em relação a um objeto que poderia ser útil, mas não é. “A arte não vive ao serviço da praticidade. Ao contrário, ela negocia com as coisas do mundo, questionando sua existência e negociando com suas formas de materialização”, lembra a curadora. A exposição convida o público a perceber que nessa casa estranha e engraçada há um consistente esmero na criação de obras que nos fazem justamente repensar o uso e as funções das coisas e do próprio status da arte hoje.

A exposição integra a pesquisa Temas da Arte Contemporânea, em que Katia discute como as novas propostas de apreciação e aprendizado da arte podem ser realizadas sob uma variedade de recortes, com temporalidades, temas e enunciados diferentes e muitas vezes justapostos.

Alex Vallauri, Sem título, 1985 (Instalação Festa na Casa da Rainha do Frango Assado) (spray sobre geladeira) / Divulgação

Leda Catunda, Onça Pintada nº 1, 1984 (acrílica sobre cobertor) / Divulgação

Alex Fleming, Cordeiro de Deus, 1991 (acrílica sobre animal empalhado e escumadeiras de alumínio) / Divulgação

Cildo Meirelles, Parla, 1982 (granito, madeira e couro) / Divulgação

serviço
Exposição: "A Casa", com curadoria de Katia Canton.
Datas e horários: De 12 de setembro de 2015 até 31 de julho de 2016. De terça a domingo, das 10h às 18h.
Local: MAC USP Ibirapuera | Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301.
Entrada gratuita.